E depois do Hospital no Engenho?
O mesmo casarão que abrigou parte das dependências do “Hospital de Alienados”, abrigou a sede da prefeitura do Salvador entre os anos de 1983 e 1985. Atualmente, nela funciona a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer.
No início dos anos 80 foi realizada uma grande reforma no então largo da Boa Vista, transformando-o no atual Parque Solar Boa Vista. Assim, além da chamada “Casa da Torre”, passou a integrar a paisagem do Solar o Cine Teatro Solar Boa Vista e outros equipamentos de esporte e lazer, atraindo muitos freqüentadores ao local.
Se hoje os intermináveis engarrafamentos nas avenidas Bonocô, Paralela e ACM abalam nossa paciência, a construção delas e de tantas outras avenidas atendiam a um esforço de desafogar a circulação dos veículos e interligar os diferentes nichos habitacionais e comerciais da cidade, aproveitando os vales e circundando os acidentes naturais, como morros e encostas. Assim, desde o final da década de 50, até os anos 80, foram construídas as avenidas Vasco da Gama, Vale do Bonocô e o Vale do Ogunjá, que margeiam a região e modificaram substancialmente o acesso a ela.
Outros dois movimentos foram decisivos no processo formativo do Engenho Velho de Brotas a partir dos anos 80: a construção dos condomínios habitacionais e as ocupações das encostas, como é o caso da ocupação Yolanda Pires, hoje denominada Conjunto Viver Melhor, no Vale do Ogunjá.
Assim, das casas de escravos pulverizadas no entorno de uma fazenda no século XIX, para as novas ocupações, o bairro passou por uma grande transformação. Entretanto, a população negra sempre foi maioria, tomando conta, se expandindo, lutando e deixando marcas no local pelas ruas assimétricas e na arquitetura flexível e espontânea, diálogo da vida com as necessidades dos momentos.
Você sabia? A origem deste nome (Ogunjá) é africana. Segundo Valdenor Rego (apud DOREA, 2006, p. 36), “[...] surgiram vários terreiros, como o Ilê Ogun Já, fundado e dirigido pelo famoso babalorixá Procópio Xavier de Souza, nascido filho de Oxalá e que depois entregou a cabeça de seu filho a Ogun Ja. Com o desenvolvimento urbano da cidade, o Ilê Ogun Ja emprestou a sua denominação a toda a área em frente, atualmente chamada de Vale do Ogun Já.” E a grafia popular uniu os dois termos: Ogunjá.