Foi assim que começou…

Quem anda pelas ruas do Engenho Velho, subindo e descendo suas ladeiras, ou tomando a Rua Boa Vista como via, quase sempre tem um casarão imponente à vista. Pensar na história dessa edificação é inevitável, mas parece difícil imaginar que há muito tempo ali viveu um senhor de engenho, mercador de escravos, e que a construção, que por certo tempo foi o ponto mais alto da cidade, servia como mirante para observar a movimentação marítima na Baía de Todos os Santos.

As primeiras histórias do lugar estão associadas ao período colonial brasileiro e se misturam às histórias da antiga freguesia de Brotas. E a construção do Solar Boa Vista, datada do final do século XVIII se tornou um marco no desenvolvimento e ocupação da área.

As memórias do bairro nos levam à desaparecida Fazenda da Boa Vista, localizada na freguesia de Nossa Senhora de Brotas, e de seu proprietário, Joaquim José de Santana Machado, um homem conhecido como Machado da Boa Vista. Na época, as suas terras abrangiam uma larga área que compreendia grande parte do atual bairro de Brotas, Engenho Velho da Federação até a Avenida Lucaia [trecho final da atual Avenida Vasco da Gama, onde se encontra com o Parque Cruz Aguiar] e era conhecido no início do século XIX como sendo a “Roça dos Machado”. Sabe-se que, em 1831, a propriedade foi vendida para Joaquim Ramos de Araújo.

Assim, de uma Fazenda, Engenho, Roça, Casa Grande, Solar… nasceu o Engenho Velho de Brotas.

Você sabia? A origem da palavra “Brotas” é fruto de uma mudança no antigo nome de como era conhecida a região – de “Grotas” ficou “Brotas”. Conta-se que pouco abaixo do local onde foi erguida a nova matriz da Igreja, na Cruz da Redenção, morava um homem que ordenhava uma vaca em sua propriedade. Em uma situação de dificuldade, ao encontrar a vaca atolada em um lameiro, invocou a interseção da Virgem, que, sem hesitações, apareceu-lhe com o Deus Menino nos seus braços. O episódio lendário acabou dando origem ao modo como é representada a imagem da padroeira na Matriz de Brotas, antes denominada de Nossa Senhora de Grotas: um homem ajoelhado aos seus pés, em súplica, com uma vaca ao seu lado. Para conhecer melhor essa história, confira o livro de Cecília Silva, “A cidade de Salvador nos seus 454 anos”.

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