Mas por que Engenho Velho de Brotas
Já no nome uma referência histórica. O Engenho Velho de Brotas, na Salvador atual, é subdistrito de Brotas. Limita-se a norte com a localidade de Cosme de Farias, ao Sul com os bairros do Garcia e da Federação, a oeste com o Dique do Tororó e a leste com o Vale do Ogunjá.
O bairro é considerado um dos mais populosos da cidade. De ocupação antiga e gradual, é caracterizado por ruas estreitas que expressam uma imediata relação com o processo de ocupação e as irregularidades do solo. São muitas as ladeiras e escadarias que desembocam no Dique do Tororó.
Cheio de histórias e personagens, o bairro, oriundo de uma fazenda-engenho, é marcado pela presença de negros/as, sendo berço de algumas das principais manifestações culturais afro-brasileiras da cidade. Vem do bairro uma gama de afoxés e blocos, como o Badauê, o Ókambí e o Clube Carnavalesco Congo d’África e suas alas de baianas, cablocos, reis e rainhas, tocadores, etc. Lá também se encontram variadas casas de candomblé, foi local de nascimento e trabalho do Mestre Bimba, residência de Pierre Verger e do grupo musical “Os Românticos”, sucesso nas décadas de 50 e 60 na cidade. Foi morada de Ninha, ex-cantor da Timbalada, de Seu Dodô do primeiro afoxé do bairro, de Márcio Victor, cantor e percussionista, da cantora Márcia Short e do ex-goleiro da seleção, Dida, apenas para citar alguns exemplos.
Você sabia? O nome “Engenho” era dado às propriedades agrárias que produziam açúcar no período colonial brasileiro. Uma possível referência ao maquinário que moía a cana-de-açúcar. No auge da produção açucareira, as fazendas com seus engenhos se espalharam compondo a paisagem nordestina. O Engenho dos Machado ou Engenho da Boa Vista era uma delas e expressam as transformações da economia do açúcar e as relações do seu proprietário com o comércio de mão-de-obra de origem africana.